» Imagino como devem estar a doer os cornos dos antiportistas deste país perante mais uma prova inequívoca de que só com cinco jogadores do Porto esta selecção consegue jogar futebol!

Mas a mim, sinceramente, o que me faz doer o coração é pensar na possibilidade de Portugal ser campeão sem o Baía. Ele não merece esse desgosto. É por isso que, embora tenha a noção de que uma equipa que tem Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Deco e Cristiano Ronaldo em boa forma dificilmente perderá, seja contra quem for, continuarei a torcer contra Portugal. Os nossos meninos que me desculpem, mas Campeões da Europa já eles são.

Só acho piada a quem elogia o Scolari por ele ter mudado a equipa para os dois últimos jogos! Tudo o que ele fez foi ser um ano e meio mais burro que qualquer pessoa que perceba alguma coisa de futebol. Mas tendo em conta de quem estou a falar, talvez isso seja de facto motivo de elogio...

» Hoje é São João! Se já é sempre um espectáculo, mais será este ano, com os milhares de gente estrangeira simpática que o Euro trouxe à nossa linda cidade! Para todos os sortudos que estarão esta noite no Porto: divirtam-se!!

[20:28]



       


» Gostei do Portugal x Grécia (grande Seitaridis!). Não gostei do Rússia x Portugal. O pescoço do Scolari acabou por ser salvo por jogadores que ele passou o último ano e meio a humilhar, o que não é justo. Ao Costinha, Deco, Maniche, Nuno Valente e Ricardo Carvalho dou os parabéns pela excelente exibição, mas espero que contra a Espanha joguem um bocadinho menos. É que o vosso futebol naquela seleccinha é dar pérolas a mouros.

Mas apesar dos cinco do Porto terem jogado que se farta (o Paulo Ferreira, sendo provavelmente o jogodor mais regular da equipa, comete um erro grave e é imediatamente arrumado, mas enfim, tudo se pode esperar do Felipinho), talvez a outra metade da equipa tivesse sido capaz de enterrar a seleccinha, mas isso nunca vamos saber, porque apesar do Ovchinnikov não ter tocado com a mão na bola, a UEFA resolveu tocar com a sua habitual mãozinha protectora a equipa anfitriã.

[01:55]



       


» Falou-se na possibilidade do Baía ser chamado para os Jogos Olímpicos caso a Selecção se qualificasse. E a Selecção qualificou-se. Seria uma espécie de prémio de consolação, de indemnização por lhe ter sido estupidamente vedado o acesso ao lugar que é seu por direito. No entanto, tenho quase a certeza que o Baía, na sua enorme humildade, aceitaria uma hipotética convocatória para os JO, se estes não coincidissem com as Supertaças. E ninguém mereceria mais acrescentar ao seu magnífico palmarés um título tão importante como o de Campeão Olímpico do que o Vítor Baía. Mas, dadas as datas das Supertaças, espero é ver o Baía conquistar o troféu que Hesp injustamente conquistou por sua vez em 1998 e também a Supertaça Cândido de Oliveira. Pelo FC Porto, a nossa verdadeira Selecção.

» Por falar em Selecção, veio parar cá a casa, como oferta de uma marca de cartões telefónicos, entre outros adereços alusivos à Selecção de todos eles, um cachecol, segundo a etiqueta, feito na Itália, 100% acrílico, que deve ser lavado a 30º centígrados ou menos, com acção mecânica e centrifugação reduzidas, não pode ser submetido a lixívia com cloro, não pode ser passado a ferro, pode ser lavado a seco com todos os solventes normalmente utilizados excepto o tricloroetileno e não pode secar à máquina. Até aqui tudo bem.

Esse cachecol, onde predominam o verde, o vermelho e o amarelo, tem o brasão nacional em ambas as pontas, diz "Portugal" no meio e tem a letra do hino nacional escrita por cima e por baixo da palavra Portugal. Hino esse que reza assim (ipsis verbis):

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente e imortal.
Levantái, hoje de novo
O esplendôr de Portugal,
Entre as brumas da memória
Ó pátria, sente-se a voz
Dos teus igréjos avós,
Que ha-de levar-te á vitória
Ás armas, ás armas,
Pela pátria lutar,
Ás armas, ás armas,
Contra os canhões, marchar marchar

É mesmo verdade: entre erros ortográficos, de acentuação, de pontuação e palavras trocadas/ausentes no próprio hino, são mais de vinte! Perante isto, como se sentiriam os nossos igréjos avós?

» O significado dos símbolos da etiqueta de lavagem, confesso-o, encontrei-o aqui! ;o)

[02:37]



       


» Já passaram quase duas semanas e a comunicação social já nem se lembra, mas para mim é como se Gelsenkirchen tivesse sido ontem. E eu estive lá; com bilhete (de 60 euros) comprado no Dragão e viagem de charter através de uma agência. Foi um dia lindo, apesar de nem tudo ter sido perfeito. Pormenores, tendo em conta a alegria que vivi nesse dia! Primeiro alteraram-nos o destino do voo, que era suposto ser Muenster. Chegados, com atraso, ao pequeno e deserto aeroporto de Paderborn, passámos horita e meia num autocarro ao som de música electrónica dos anos 90 (e as que não eram, pareciam - estilo 2 Unlimited e essas coisas!) em direcção à Arena dos Campeões. Apesar disso, a ida foi simpática.

Mas a volta foi miserável. Depois de um longuíssimo engarrafamento de autocarros do Arena para o aeroporto, o que se seguiu foram grupos de centenas de pessoas a empurrarem-se e a acotovelarem-se, primeiro para conseguirem passar pelo detector de metais; depois, para dar nome e data de nascimento a umas funcionárias que os anotavam e nos davam um bilhete em branco; por fim, para entrar, com o tal bilhete em branco, num avião qualquer em direcção ao Porto, porque os civilizadíssimos e organizadíssimos Alemães de primeiro mundo resolveram abdicar do embarque ordeiro no voo que estava determinado no bilhete original, substituindo-o por um salve-se quem puder que pelos vistos lhes permitia despacharem os Portugueses mais cedo para poderem ir para casa dormir.

Na cabeça e nos lábios de todos nós, naquele momento, só passavam expressões como "e nós é que somos atrasados!", "e ainda dizemos mal de Portugal!" e outras manifestações do mesmo tipo de sentimento. De facto, é impressionante a nossa facilidade em criticar o que é "nosso" por comparação à perfeição que é "lá fora", mas nestas alturas vê-se o quanto podemos enganar-nos ao falar de algo que mal conhecemos. É que nem sequer era na Espanha ou na Itália, latinos como nós e consequentemente rotulados de desorganizados. Era na Alemanha! Estão muito bem perparados para o Mundial, não haja dúvida.

Basicamente, por decisão dos responsáveis do aeroporto, de nada interessava a hora e o voo definidos no bilhete de cada um. Eu, o meu irmão e a nossa amiga que foi connosco conseguimos entrar no mesmo avião, mas não duvido que tenha havido famílias e grupos de amigos a viajarem separados. E escusado será dizer que, num avião onde estavam 180 pessoas com bilhetes para dezenas de voos diferentes, os lugares eram tudo menos marcados. Era encher avião e partir, encher avião e partir, encher avião e partir. Depois admiram-se que o trafégo aéreo tenha ficado congestionado e alguns aviões tenham tido que aterrar em Lisboa. Felizmente não foi o caso do nosso, que após muitas voltas no ar à espera da sua vez lá conseguiu aterrar no Sá Carneiro, por volta das sete da manhã.

Apesar de tudo isto, este dia será sempre recordado com um enorme sorriso nos lábios - obviamente. Foi o dia em que vi o Porto ser Campeão Europeu ao vivo! Mais importante que isso, foi o dia em que o Porto foi Campeão Europeu pela segunda vez! Parecia impossível uma equipa do tímido campeonato Português ganhar uma Liga dos Campeões no actual formato, mas não era! Não era impossível e nós provámo-lo! Foi tão lindo!!!

Quando entrámos no estádio estava o simpático speaker Alemão (que dizia meia dúzia de palavras em Português, arranhava Francês e falava Inglês, coisa raríssima naquelas bandas, onde nem os putos de 17, 18 anos das caixas do McDonalds sabiam dizer o total a pagar em Inglês!) a anunciar o Branco, speaker do Estádio do Dragão (e das Antas) e um rapaz a falar Francês, vestido com uma camisola do Mónaco - suponho que fosse o speaker do Mónaco (sou mesmo perspicaz!). A animação foi divertida, e até ofereceram bilhetes para um jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões 2004/05 (infelizmente não a mim!), mas um dos melhores momentos foi quando Klinsmann entrou no relvado. Anunciado pelo speaker Alemão, foi entusiasticamente aplaudido por todos, Portistas incluídos, muitos, provavelmente, como eu, a lembrarem-se daquela memorável eliminatória da Taça UEFA 1995/96, que opôs Bayern e Benfica e terminou com 7-2 para os Alemães, com seis golos de Klinsmann. Porém, ao longo da conversa, o speaker pergunta (em Inglês ou Francês, já não me lembro) se ele tem alguma mensagem para os adeptos do Mónaco, já que jogou lá. Ele (em Francês) diz que vão ganhar, que são os maiores e coisas do género, e é brindado com uma vaia monumental (do nosso topo, é claro). Diz o speaker: "Ficarias surpreendido com a quantidade de Portugueses que percebem Francês!". Pouco depois, saiu do relvado sob nova vaia. Mais tarde, foi a vez do nosso bibota de ouro subir ao relvado e ser ovacionado pela magnífica assistência Portista presente no Arena.

A hora a aproximar-se, os nervos a aumentar. A abertura foi bonita e original. E finalmente começou o jogo. Não acho que o Porto tenha entrado muito bem. Baía em grande a evitar um golo madrugador do Mónaco que podia ter-nos complicado as coisas. Aos poucos fomos assumindo o controlo do jogo e acabámos por marcar em boa hora, pouco antes do intervalo. Carlos Alberto, cuja relutância em soltar a bola já tinha enervado o público várias vezes durante a primeira parte, a abrir o marcador com um golo muito bonito. Já vamos para intervalo um bocadinho mais contentes.

Na segunda parte segurámos bem o jogo, embora dois ou três enterranços na defesa tenham chegado a assustar-me. Quando Deco faz o segundo a fé é enorme: já não nos foge. Mas eu nunca deito foguetes antes da festa e, mesmo a ganhar por 3-0 já nos descontos eu ainda não cantava "campeões, campeões...". Mas cantava os outros cânticos, saltava, gritava... Estava quase.

Ao apito do árbitro explodi. Campeões da Europa! À minha volta, nas bancadas, algumas pessoas saltavam, outras abraçavam-se, outras olhavam, paradas, para o campo, com os olhos molhados, em êxtase, outras ainda olhavam para o céu como que a agradecer às estrelas aquele momento mágico. Atrás de mim, um senhor chorava, ajoelhado no chão, com as mãos na cara. A emoção era tangível. Só tive pena dos meus pais não terem podido ir connosco.

Mas o telemóvel aproximou-nos por instantes. Ainda que não se ouvisse quase nada, eram eles do outro lado e a alegria era a mesma. O Jorge Costa levanta a Taça e a felicidade é indescritível. Campeões da Europa! Campeões da Europa.

Muita festa depois estávamos no autocarro de volta a Paderborn, e de Portugal iam chegando a todos, via telemóvel, notícias de uma festa de arromba, por todo o país e até pelo Mundo, com principal incidência no Porto, é claro. Como no ano passado, tive pena de não estar cá, mas, como no ano passado, ainda não sei fazer projecção astral, e, também como no ano passado, não me arrependo de ter preferido estar lá.

Depois da terrível viagem acima descrita (atenuada pelo doce sabor da vitória nos lábios!), chegámos ao aeroporto quando a equipa estava a sair dele, no camião. A minha mãe foi buscar-nos, tomámos um caminho alternativo e ainda fomos saudar os jogadores à chegada ao Estádio do Dragão. "É nossa!", gritou o Baía vezes sem conta. E apontava para eles, jogadores, e para nós, a multidão Portista que os envolvia. É nossa sim senhor, Baía. É tua. Do único jogador Português com as três taças europeias no currículo.



Somos Campeões Europeus! Parabéns e obrigada Porto!

» Mas é claro que para o país desportivo (excepto os Portistas, como é óbvio) era muito mais importante a saída do Mourinho do que a conquista da Liga dos Campeões. A minha opinião acerca da tão falada saída não é complicada. Mourinho ajudou-nos a conquistar dois anos de glória e agora procura um desafio novo, num campeonato mais competitivo, a ganhar um salário dez vezes maior. Não vejo qualquer problema. Tenho pena de perder um bom treinador, mas não é o fim do Mundo. O presidente (que aproveito para congratular por ter sido reeleito, com o meu voto, para mais 3 anos de mandato!) sabe o que faz e se escolheu o Del Neri é porque ele deve ter qualidades. É verdade que o presidente, como ser humano, também se engana (Fernando Santos e Octávio Machado são a prova), mas se por acaso Del Neri for um engano (embora não me pareça) o mesmo presidente saberá corrigi-lo. Enquanto tivermos este timoneiro (e espero que seja para sempre!) não temo pelo destino da nau Portista. :o)

Quanto ao Mourinho ter feito cara feia na festa da Liga dos Campeões, como disse o José Manuel Ribeiro, o problema é dele, que quando for ver as imagens do seu primeiro título de Campeão Europeu verá toda a gente a festejar e ele de cara amarrada como se tivesse perdido. Já não ter aparecido no Estádio do Dragão, onde milhares de pessoas passaram mais de 10 horas à espera da equipa, isso já não achei bonito. Mas ele lá terá tido as suas razões.

Pela minha parte, agradeço ao Mourinho os títulos que ajudou a conquistar, desejo-lhe sorte no resto da carreira (esta merece um asterisco) e desejo também que um dia os caminhos dele e do FC Porto se voltem a cruzar.

Agora o asterisco. Em primeiro lugar a saída do Mourinho para o Chelsea desilude-me. Um homem que gosta de desafios, como ele, vai para um clube onde pode comprar Deus e o mundo e meter 11 a jogar por sorteio? Francamente, desilude-me, mas ele lá sabe. Mas a verdade é que desejo muito boa sorte ao Mourinho, mas não no Chelsea. Isso porque eu detesto o Chelsea, como, julgo, será normal para qualquer verdadeiro adepto de Futebol. A ideia de um clube comprado por um milionário estrangeiro que não percebe nada de futebol e que não tem a mínima identificação com o clube, ainda por cima numa liga importante, terá necessariamente que ser assustadora para qualquer pessoa que goste verdadeiramente de Futebol. E a ideia desse clube conquistando títulos, tornando-se grande e levando outros a seguirem o seu exemplo consegue ser totalmente aterradora. Seria a morte de uma boa parte daquilo que me faz amar o "beautiful game". Por isso, não consigo torcer pelo Chelsea. O Mourinho e o Paulo Ferreira que me desculpem.

Falando em Paulo Ferreira, apesar dos jornais já nos terem vendido a equipa toda, ainda só ele saiu de facto. De resto, vamos ver, mas sinceramente não acredito que o presidente deixe sair mais de dois jogadores titulares, no máximo três. De qualquer forma, a saírem, terão que ser bem pagos - como aliás foi o Paulo Ferreira. E é claro, desde já dou as boas-vindas aos reforços confirmados: Areias, Pepe, Rossato e Zequinha.

» A FPF achou por bem não marcar os dois últimos jogos de preparação da Selecção de todos eles antes do Euro 2004 contra equipas fortes, ou mesmo médias, mas antes contra equipas que não estão sequer entre as melhores 100 do planeta. Assim ganha-se, goleia-se até, e o povão fica todo contente, restaurando "aquela identificação" com a Selecção Nacional. Objectivo cumprido? Não sei não. A quantidade de vezes que a comunicação social afirma que "o povo está com a Selecção!", "provou-se hoje que os Portugueses estão com a Selecção!" e outros (quase) slogans do género, soa a tentativa desesperada que essa mentira, repetida muitas vezes, se torne verdade...

[04:53]



       


» Não tenho tempo para nada, nem para escrever aqui (e Gelsenkirchen merece um graaaande post!), nem para acompanhar Roland Garros em condições, nada! Mas arranjei meia dúzia de minutos para actualizar o layout do site para a nossa mais recente conquista europeia!

Mal dá para acreditar que o mítico momento de Viena se repetiu! Somos campeões Europeus! Somos a melhor equipa da Europa na actualidade! Somos nós! Viva o mágico FC Porto!!!!

[04:50]